Poder à chefia intermédia!

As chefias intermédias são as que ficam entre a carne e o peixe. É qualquer coisa decerto, mas nada de concreto. As chefias têm a responsabilidade de dirigir a empresa, incluindo o uso do seu capital, bem como recursos humanos na direcção que melhor retorno dê à empresa. Os funcionários, ie base hierárquica, têm a tarefa de executar esta direcção. Onde entra a chefia intermédia aqui?

Em tempos passados, a chefia intermédia servia para tratar as direcções decididas pela chefia de forma a poderem ser implementadas de forma sistemática pelos funcionários. Por exemplo, numa fábrica com 1.000 funcionários e 1 chefe operacional, faz todo o sentido delegar a aplicação e transmissão das decisões numa camada intermédia. Esta chefia intermédia pode assim servir de ponte entre os funcionários e a chefia. Se houver um problema operacional localizado, poderá ser mais fácil essa informação ser considerada pela chefia, depois de passar pelo primeiro filtro da chefia intermédia.

Esse modelo hierarquizado continua a fazer sentido em trabalhos com grande uso de mão-de-obra (por exemplo fábricas de sapatos). No entanto, com o avanço do capital e subsequente automatização dos processos, a mão-de-obra tende a ser especializada. Isto é ainda mais verdadeiro, por exemplo, nas engenharias. Uma típica empresa de engenharia de projecto não precisará de mais de 2 engenheiros com a mesma função num projecto. No entanto, a posição de chefia intermédia também existe aí.

Recorrendo ao seu papel histórico, as chefias intermédias nestas empresas especializadas continuam a ser a ponte da informação entre as chefias e a base hierárquica. Ora, hoje em dia as chefias têm à sua disposição ferramentas que lhes permitem dialogar directamente com a base hierárquica. Podem definir que os emails de dado projecto têm conhecimento de certo funcionário e aplicar categorias de importância aos problemas operacionais dos funcionários. Podem e fazem. É habitual actualmente a informação ser distribuída. Aliás, já temos o caso de haver uma enxurrada de informação constantemente a cair na cabeça da base hierárquica e ser o seu dever avaliar qual a relevante para si.

Habitualmente, as chefias intermédias servem para fazerem as burocracias, ie, garantir que os planos de férias não são incompatíveis e que os funcionários têm as suas horas correctamente inseridas nos programas de gestão de tempo. Tudo o resto é uma glorificação da sua posição.

Algo que acontece com demasiada frequência é o caso da chefia intermédia se colocar activamente entre a chefia e a base hierárquica para receber informação e depois não a distribuir imediatamente. Um sem-fim de razões são usadas para justificar este comportamento, desde o ‘não quero que te estejas agora a preocupar com o que acontecerá daqui a uma semana’ ao ‘essa informação ainda não está confirmada’. Uma espécie de ‘diz que precisas de mim para eu me sentir importante’. Ora, a verdade é que a tendência é a da inutilidade da chefia intermédia na transmissão da informação.

A inutilidade do próprio emprego parece levar muitas pessoas a uma necessidade de afirmarem a sua importância. Se um chefe intermédio não é quem executa, poderá ao menos ser alguém que influencia as decisões? Muitos acreditam nisto e talvez alguns consigam, mas a maior parte do que um chefe intermédio diz à chefia sobre o que acha ser o rumo que a empresa deve tomar é recebido com uma pancadinha nas costas.

Outra forma passa pela criação de atritos nos processos da empresa, como demasiadas reuniões e métodos fantásticos que vão resolver tudo desde a assiduidade até à escolha do material. Isto não poucas vezes são tentativas da chefia intermédia se sentir ocupada com algo que entende ser benéfico, mas raras vezes sabe aplicar.

O não saber aplicar está relacionado com o motivo quase único de uma base hierárquica ser promovida para chefia intermédia. Estas existem para criar uma promoção fictícia a quem está há alguns anos na empresa. Acontece em tempos bons com admissão de mais funcionários. Sabes o que irrita sobremaneira o ego de alguém que trabalha no mesmo emprego com as mesmas tarefas há anos? É ver outro qualquer a chegar e em um par de meses já dominar as tarefas e até as fazer melhor. Assim, para a empresa proteger os egos destes ‘funcionários leais’, estes são promovidos a chefia intermédia.

É do conhecimento comum que uma chefia intermédia é criada em tempos bons e suportada em tempos maus. Se queres algum dia ser chefe intermédio, então a admissão de novos funcionários e a tua antiguidade serão critérios valiosos.

One thought on “Poder à chefia intermédia!

  1. Está engraçado. Não concordo com a ideia em que se baseia o texto. Nunca passei por uma empresa em que os chefes intermédios fossem figuras secundárias.
    Já passei por uma empresa que tinha mais chefes que empregados (entretanto faliu) mas todos metiam a mão na massa.
    Já tive em empresas que os chefes não entendiam/não tinham conhecimento, mas eram casos descarados de favorecimento/cunhas.
    Penso que esses casos acontecem é na função pública, onde a antiguidade é um valor importantíssimo, em vez do conhecimento.

    Liked by 1 person

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s