Que empresas poderemos vender desta vez?

Nos tempos da Troika, a ajuda estrangeira vinha com uma condição de privatização da EDP, REN, CTT, Fidelidade, ANA e TAP. Foram quase 10mM€ que o Estado conseguiu num período de corda no pescoço. Felizmente, depois disso usámos o dinheiro para pagar a dívida, fomos prudentes com a despesa pública e conseguimos crescer sempre acima da média europeia. Espera… Não, não. Continuamos mal e agora às portas de uma crise que pode fazer a de há 10 anos parecer minúscula. Então o que vendemos agora para podermos respirar?

Galp

O Estado ainda tem a sua participação na Galp, que com a disputa petrolífera na OPEC tem sofrido bastante. A valorização bolsista caiu >35% desde Dezembro 2019. Isto quer dizer que actualmente o Estado tem uma participação avaliada em ~520M€.

Valorização bolsista Galp desde Dezembro 2019

TAP

Não só o Estado não poderá vender a TAP (quem será o privado que vai agora investir em aviação?), como ainda terá de injectar dinheiro na empresa. Fala-se em 1mM€. As ajudas estatais na Europa têm optado por empréstimos, em vez de entradas directas no capital. E estes empréstimos mesmo que convertíveis, seriam feitos com um plano de saída do capital num prazo de 7 anos.

El fantasma de una eventual nacionalización fue descartado por Markus Söder, jefe del Gobierno de Baviera. “Es importante salvar a Lufthansa, una empresa de importancia sistémica. Pero no debe ser nacionalizada”, dijo el líder bávaro. Incluso después de una inyección de dinero público, el Gobierno no debería poder “opinar en el puente de mando”, sino que debería ser un socio silencioso, añadió.

https://elpais.com/economia/2020-04-27/europa-sale-al-rescate-de-sus-gigantes.html

Já em Itália, a renacionalização da Alitalia parece vir a acontecer.

Portanto, nós salvaremos a TAP, não o contrário.

CP

Nem sei por onde começar com esta empresa. Ainda há pouco tempo o Estado teve de injectar >500M€ na empresa. Ainda assim, a mesma precisa de investimentos em novos comboios, que tem sido adiado. Como avaliar uma empresa estruturada para dar prejuízo e com problemas na falta de investimento já há vários anos?

Seria uma surpresa se fosse privatizada.

Carris e Metro de Lisboa

Não conhecendo relatórios da Carris, pelo menos do Metro é conhecido o alto endividamento da empresa. Isso e um plano ambicioso de expansão parece deixar estas empresas no Estado.

CGD – Caixa Geral de Depósitos

A mais preciosa. A que previa pagar dividendos de 300M€ ao Estado em 2020. É sem dúvida o activo público mais valioso neste momento e ainda assim prevê-se vida difícil para a CGD nos próximos anos. A pressão do BCE nas taxas de juro deve manter-se e até talvez descer mais (!!!) e o risco do malparado a subir com as famílias a enfrentar a recessão.

Nem comecemos a falar dos emaranhados de influência e grandes devedores que emanam da CGD, que fariam o mercado pedir condições desvantajosas para o contribuinte.

RTP – Rádio Televisão Portugal

Ya, quem vai vender o meio de propaganda no meio de uma recessão?

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