Annie Kopchovsky, a ciclista que deu a volta ao Mundo em 1894

Annie Kopchovsky é uma daquelas histórias inacreditáveis, que põem a vida de qualquer um em perspectiva. Nascida em 1870 na Letónia, emigrou com a família para Boston, Estados Unidos ainda criança. Aos 18 anos casou e aos 22 já tinha 3 filhos. Depois, em 1894 Annie pegou numa bicicleta e declarou a quem ouvisse que iria pedalar à volta do Mundo. E assim fez, deixou Boston de bicicleta e os seus filhos com o marido. Sendo esta uma história já com mais de 100 anos, existem relatos conflituantes, sobretudo sobre o motivo que a levou em tão grande aventura para uma mulher judia daquela altura, em que o lugar de mulher era a criar filhos e cozinhar. Esta poderá mesmo ter sido a razão, existindo relatos de que esta aventura foi o resultado de uma aposta que 2 empresários fizeram com Annie para provar que as mulheres não eram capazes de esforço físico e deviam ficar em casa. Annie terá aceite a aposta de pedalar 10.000 milhas (16.000km) e ganhar 5.000$ na viagem numa prova de direitos para as mulheres. Também existem relatos de que esta aposta nunca aconteceu e Annie partiu apenas para se libertar da vida aprisionada de mulher de casa. Eu gosto de pensar que Annie foi um espírito livre que tentaram agrilhoar cedo e por isso quis libertar-se e provar a liberdade.


Annie Kopchovsky e a sua pesadona
Annie Kopchovsky e a sua pesadona

Annie partiu inicialmente rumo a Chicago com uma bicicleta de ~20kg (uma pesadona) e vestida de de forma Victoriana, o que deve ter sido para lá de desconfortável. Felizmente, chegada a Chicago Annie trocou a bicicleta pesada por uma mais leve (~10kg) e o vestido Victoriano por umas calças balão. Apesar de ter pedalado até então rumo a Oeste, Annie dá uma volta de 180º e regressa a Nova Iorque onde parte para Le Havre, França. Lá chegada, pedalou de Paris a Marselha em duas semanas, pedalou pelo Mediterrâneo até ao Egipto e passando por Jerusalém e Iémen. Depois, partiu para Colombo, Sri Lanka e para Singapura. ~9 meses após a partida de Boston, Annie regressa aos Estados Unidos, pela parte Oeste, San Francisco. De seguida foi para Los Angeles, depois El Paso, Denver. Chegou a casa 15 meses depois de partir à aventura.


Mudança de traje
Mudança de traje

Os seus relatos são por vezes incongruentes e a própria terá escrito que houve vezes em que teve de apanhar um comboio para ganhar tempo. A mim parece o burro a olhar para o dedo em vez de olhar para o palácio se o que ficar dela for o facto de ter apanhado ocasionalmente um comboio. A sua viagem à volta do Mundo, o ter deixado marido e filhos e se ter aberto às críticas da sociedade é provavelmente o seu legado.


Londonberry
Londonberry

Annie fez de si mesma uma empreendedora e caçou ajudas, sendo a mais famosa a da companhia Londonberry Lithia que lhe terá pago 100$ para carregar o seu placard. Annie até adoptou o nome da companhia e passou a referir-se a si mesma por Annie Londonberry Kopchovsky. Depois de 15 meses separados, Annie e o marido mudaram-se para Nova Iorque onde ela trabalhou como jornalista durante alguns meses. Depois, a sua fama foi desvanecendo e, em 1947, morreu no desconhecimento. O documentário The New Woman: Annie Londonderry Kopchovsky, saiu em 2013 e conta esta história incrível.

Originalmente publicada em 02/2014

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