Porque nos ajudamos?

Não há muito que te possa dizer enquanto me escorregas da mão, que sinto suada e a escaldar. Não sei bem como viemos aqui parar, ainda no outro dia andávamos à caça de gelados no jardim e desbravávamos estradas juntos. O teu olhar sereno e ingénuo, não te nasceria um pensamento mau, mesmo que o quisesses. Pergunto-me como descemos tanto e tão depressa, como tudo se precipitou em poucos meses, eu a bater mal da cabeça, tu desamparada sem forças para continuar a caminhar. Nada fica assente em cimento de palavras. Nada do que eu disse interessa neste momento e tudo o que eu pensei termos construído em nosso redor caiu ao primeiro teste. Agora estamos aqui, sem ideia de como nos poderemos ajudar a levantar outra vez. Talvez um de nós tenha de cair para servir de base ao outro. Eu sacrificar-me-ia por ti, dar-te-ia o meu reino de escritos e pensamentos. Penso nisto enquanto te sinto a mão a escapar da minha. Talvez te queiras ir embora, talvez eu e tu não nos consigamos ajudar.

Originalmente publicada na fendamel em 13/12/2013|Guilherme Dias (pseudónimo)

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