Concerto Foge Foge Bandido no CCB

Numa noite com temperaturas a fazer lembrar uma pequena estufa, verificava-se uma pequena romaria nos arredores do CCB. O motivo de tanta agitação? O último concerto do projecto aclamado de Manuel Cruz, o eterno vocalista dos Ornatos Violeta que, desde o desmembramento deste grupo, se tornou uma referência fundamental na música portuguesa; não conseguiu ficar parado e tentou ramificar a sua criatividade em vários projectos, entre os quais Pluto, Super Nada e este sui generis Foge Foge Bandido. Digo sui generis porque este projecto foi algo que começou a sua originalidade logo no nome, não acabando por aqui e prolongando-se ao registo fonográfico que, para além de conter um livro com trabalho gráfico, tinha ainda mais 2 CD’s de música que nos fazia questionar o conceito de canção. Para além das músicas tradicionais, samples e gravações do quotidiano de Manuel Cruz abrilhantavam O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que Estraguei.
Voltando ao último concerto que os Foge Foge Bandido deram em Lisboa, sentia-se um certo contágio pela azáfama que se vivia nas imediações do CCB. O público que ia assistir ao concerto formava uma massa harmoniosa com o intuito de ver o Rei Manuel. Aos primeiros acordes, terão sido poucos no Auditório do CCB a não sentir que estava perante um concerto especial. A produção visual do palco, embora pouco espampanante, dava a entender que estávamos perante um estúdio de cinema repleto de projectores de chão, de forma a iluminar e a realçar as várias histórias que iriam passar em palco. E assim foi, a primeira história/música contada pelo colectivo em palco teve um travo experimental bem acentuado, algo a que Manuel Cruz já nos habituou desde que cria ambientes sonoros. Foi assim que o concerto decorreu, inconstante e repleto de momentos que variaram da euforia até momentos completos de lirismo e ternura, devido ao conteúdo das letras que iam sendo ouvidas no Grande Auditório.
Para o público feminino, o vocalista perdeu a sua t-shirt. Há que encantar os diferentes públicos e Foge Foge Bandido fizeram-no. Como que a recompensar o esforço, os roadies do grupo foram encorajados mais do que uma vez a entrar em palco e a dar o seu contributo, quer com percussões, quer com palmas para ajudar a elevar o ritmo frenético de algumas das músicas que já estavam a ser tocadas. E para terminar, a música Mau Hálito cantada bem junto do público e sem microfones.
Não é de crer que a carreira de Manuel Cruz fique por aqui, que ainda terá muito para oferecer à música moderna portuguesa.

Originalmente publicada na fendamel em 27/06/2011

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