Jota

Escrito por Artur Anjos (pseudónimo)

Lá vão eles todos janotas
Velhos tesos cheios de notas
Barrigas inúteis cheias de batotas
Aborrecidas de morte as suas velhotas

Eu limpo as botas
E conto estas anedotas
Vagueio perdido sem rotas
Coisa interessante uma vida às postas

E tu a quem curvaram as costas
Tu também me enxotas
Pensando-te livre, invejas as gaivotas
Pobre vivant das motas

Mentirosos, corruptos, agiotas
Cabrões de fatiotas
Se fosse puto atirava-lhes bolotas
Ou então comia-as numa tosta
Tudo menos outra vez sandes de compotas
Alguém que me dê uns salgadinhos, uns bolos, umas tortas
Alguém que me veja para lá da capota
Alguém que me pergunte, não te importas?

Já nem tu te mostras
Antes aguentavas corajoso as derrotas
Agora até tu te encostas
Antes infernizavas quem te fechava as portas
Agora até tu te rendes às respostas
Seu nome Sara, mas pela rima seja Carlota
Essa paixão que não volta
De mentiras e sorrisos envolta
Um cemitério de sensações mortas

Tu, artista galã poliglota
És o motivo de chacota
Risota, risota, risota
E a falar continuam os idiotas!
Eles, aberração da Natureza imposta
Eu ainda limpo as minhas botas
E escrevo a partir da ferida exposta
Escarafuncho e incito à revolta!
Eu, o maluco patriota
Eu, o gordo em pelota
Tu, o que tudo suporta
Às tantas já nem queres saber em quem votas
Tua vida esgotas
Sem saberes se ela a ti está disposta
Arriscas tudo nesta aposta
E segues pela rua oposta

Depois alguém tem o descaramento de perguntar, gostas?

Originalmente publicada na fendamel em 30/04/2011

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