Cobertura do concerto Dazkarieh no São Jorge

Texto de Nuno Ovídio
Fotografias de João Pontes e Nuno Ovídio

A data foi atípica para um concerto que de convencional também não tem muito. Era Quarta-feira e às 21h30 o concerto dos Dazkarieh cortava com o quotidiano pachorrento da cidade de Lisboa. Este humilde narrador chegou mesmo em cima do início do concerto, e assim que entrou no primeiro piso do histórico Cinema São Jorge ouviu logo os acordes profundos e melódicos para o tema que, ironicamente, marca o início do último álbum da banda, a música era o Lilaré dos Cinco Sentidos. E mais uma vez, ironia do destino ou não, eis que este tema é um verdadeiro mote para o que se vai viver neste concerto.

Assim que se dá entrada na sala do São Jorge eis que surge o primeiro sentido a ser despertado. A visão do belo cineteatro condignamente iluminado e preenchido pelos cenários idealizados pelos Dazkarieh, simples mas eficazes em trazerem uma certa harmonia ao palco.

Logo de imediato mais um sentido é despertado e, como não poderia deixar de ser, o mais óbvio, o Som do Quarteto composto por Vasco Ribeiro Casais, Joana Negrão, Rui Rodrigues e André Silva, preenche por completo a grande sala Lisboeta.

E o concerto segue o seu ritmo, com tempo inclusive para falar um pouco da música Ruído do Silêncio, título que dá nome ao álbum que para a banda serve de marco e chamada de atenção para o quanto é importante ouvirmo-nos e pensarmos qual o caminho a seguir de forma a evoluirmos. Ideia que na minha  opinião fez realmente parte da produção deste novo álbum. Isto porque se conhecermos os Dazkarieh há longa data percebemos que houve um cuidado no que toca tornar evidente o “velho” som da banda, não descurando como está claro a evolução que a mesma tem feito ao longo dos anos de Carreira.

Sendo um concerto que marcou o regresso ao S. Jorge, quem lá esteve foi presenteado para além de um bom concerto, por duas surpresas que já se anteviam. A presença de convidados especiais, em que o primeiro a entrar foi André Galvão, munido do seu contrabaixo e pronto a elevar ao máximo a música dos Dazkarieh. Um pouco mais tarde foi a vez dos Velha Gaiteira entrarem em palco para também, tal como no álbum, darem o contributo na música Repasseado da Calçada, momento em que poucos eram os que conseguiam ficar sentados, resistindo à energia contagiante desta música.

E o concerto continuou, apenas com duas paragens obrigatórias porque o público não queria deixar que a banda saísse sem tocar mais uma música e assim foi até que o concerto terminou com os Velha Gaiteira novamente em palco e repetindo um momento que me fez lembrar os tempos idos em que os Dazkarieh tocavam no Andanças.

Mesmo depois de terminado o espectáculo, ainda foram muitos que ficaram à entrada da sala, à espera de trocar algumas palavras com a banda ou até mesmo a pedir autógrafos, pedidos que simpaticamente eram respondidos.

Fica na memória um concerto que, para quem não conhecia os Dazkarieh foi uma agradável surpresa e que para quem já o conhecia foi um belo reencontro.

Originalmente publicada na fendamel em 17/04/2011

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