Entrevista a Uxu Kalhus

Na sua transumância há quase 10 anos, acolhendo novos membros pelo caminho e vendo outros a partir, os Uxu Kalhus apresentam Transumâncias Groove. Álbum pelo qual andam em digressão desde o início do ano.
Para saber mais sobre a sua agenda visite página dos Uxu Kalhus.
Aqui fica a entrevista dada ao fendamel:

De onde vem a ideia para Uxu Kalhus?
Eddy – Não me lembro do nome da senhora.
Tó – É uma professora de dança. Não me lembro. Bem, antes de mais o grupo tem 10 anos quase. Quase 10 anos. Estamos quase a comemorar o 10º aniversário. Portanto 9 anos. Mas isto é uma, os Uxu Kalhus são uma espécie de banda laboratório, onde vão passando várias gerações de músicos, de alguma maneira. Ou é pelo menos isso que tem vindo a acontecer. Nenhum de nós é fundador da banda.
Eddy – Há um.
Tó – O único fundador que se mantém é o Paulo que toca flauta. Toca os sopros todos. E então o nome vem dessa altura. Eu acho que foi de uma professora de dança que se chama Margarida Moura.
Eddy – Por ocasião de uma ida a França com um grupo que ensinasse danças portuguesas e o grupo foi arranjado para a ocasião. E acabou por continuar.
Tó – Com esta ideia de música com a dança e para mostrar exactamente os festivais de dança e o que se fazia aqui em Portugal em termos de dança.
Eddy – Era Chocalhos. Depois acabou por ficar Uxu Kalhus.
Tó – Mudou-se a grafia.

De onde veio a ideia original de juntar música tradicional com algo tão diferente?
Tó – Eu acho que… Eu não sei se é original, acho que surge naturalmente.
Eddy – Não é original. Cá? Talvez. Apesar de ter havido tentativas antes dos Uxu Kalhus. O que os Uxu Kalhus têm de diferente é que não se preocupam muito por aí.
Tó – Há também uma outra questão que temos vindo a dizer. Nós somos gente do nosso tempo. Tocamos aquilo que é nosso, que faz parte de nós. Esta coisa que é a cultura lusa, de alguma maneira. Ou a europeia também. Mas com os instrumentos do nosso tempo e com as nossas próprias influências. Não nos interessa muito continuar a tocar o malhão como sempre se tocou. Deixamos isso em paz. Mas nós não fazemos escolhas, dependemos. Dependemos de algumas coisas e criamos.
Eddy – Hoje em dia ninguém cria nada do zero. Fazemos fusão para tentar chegar a algum sítio.

Qual a música que mais vos diverte tocar?
Eddy – Todos nós damos muito a cada música.
Tó – Eu acho que essa energia não decorre, às vezes não decorre só da música. Decorre do grupo de pessoas que se reúne. Porque nós somos todos amigos. Portanto, conhecemo-nos todos e vamos tomar café uns com os outros e vamos beber copos e não sei quê. E isso acaba por criar essa energia. A energia não vem só da música que tocamos. Ou seja, vem também de muitas horas fora do palco. Que se passam em carrinhas, que se passam a ir beber copos.
Eddy – Consideramos os Uxu Kalhus e quem entra e quem esteve… é quase uma família.
Tó – Sim é um pouco isso. É difícil dizer um tema que me divirta imenso a tocar, porque eu divirto-me imenso a tocar.
Eddy – Até com a guitarra desligada ele se diverte.
Tó – Até com a guitarra desligada.

Qual o concerto que mais vos marcou?
Eddy – Não sei. Olha lá, nós damos cento e tal concertos por ano. Há alguns que marcam, outros que não.
Tó – Não sei, há concertos que nos marcam de formas diferentes. Eu acho que os concertos têm todos histórias diferentes. Têm todos histórias diferentes porque aquilo que as pessoas vêem é só a parte de quando se começa a tocar e quando se acaba. Mas um concerto para nós é muito mais do que isso. Desde o momento em que se marca um concerto até à viagem para chegar a um sítio x. Depois tem uma história e acaba por também influenciar que o… há um público, um público diferente, depois há o pos-concerto. Portanto, tudo isto está nas nossas memórias. Não é só exactamente o concerto.
Eddy – Os Uxu Kalhus tratam de tudo, fazem tudo. Da música até ao CD e ao espectáculo.
Tó – Exacto, exactamente.
Eddy – Não temos ninguém. Uma agência… Não faz sentido. Trabalhar com alguém fora. Isto é máfia.
Tó – Tenho dificuldade em dizer uns concertos, mas houve de facto.
Eddy – O de Évora.
Tó – Sim, sim em Évora no 25 de Abril. Ver assim milhares de pessoas à tua frente.
Eddy – Já estiveram 3 pessoas e foram igualmente fantásticos. Há de tudo.
Tó – Todos têm uma história diferente. É um bocado esse o sound-bite. E de alguma maneira aqueles que são interessantes e que ninguém nos bate.

O que entendem por Novo Baile Português?
Tó – NBP. A ideia é… Nós somos uma banda de baile. A ideia é um pouco assumir isso. As músicas que criamos têm coreografias. São temas que decorrem da ideia da música que é popular. Ou seja, há aqui um misto. A gente mistura o que é tradicional com o que é popular. A coisa da Folk e não sei quê. E a ideia é que aquilo que se tem feito em Portugal nas últimas décadas tem cristalizado ao nível dos ranchos folclóricos. E um pouco neste ambiente um bocadinho fechado e cristalizado do imaginário que é português dos anos 50 ou dos anos 40. E aquilo que nós tentamos fazer com esta ideia de re-visitar a música e a dança com os instrumentos que trouxemos.

Originalmente publicada em 10/07/2009

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